Diálogo “Além da Agricultura de Subsistência”, 5 a 10 dezembro de 2008

Jim Wigan relata sobre o Diálogo entre Agricultores do Leste Africano, onde 107 agricultores de 13 países reuniram-se no oeste do Quênia para planejar como fazer para a agricultura de subsistência ser usada para alimentar o continente. Apresentações durante o diálogo demonstraram que a África tem os recursos, tanto técnicos quanto humanos, dentro de suas fronteiras para alimentar seu povo e tirar o continente da pobreza. Jim Wigan relata sobre o Diálogo. Depois surgiu como um mapa para atingir esse objetivo:

  • Divulgar exemplos de iniciativas tomadas por pessoas comuns.
  • Elevar o perfil de resolução de conflito para equipar as pessoas com as habilidades técnicas necessárias.
  • Desenvolver qualidades de liderança que resultem em uma melhor utilização dos recursos.

Julias KhakulaJulias KhakulaJulias Khakula, uma das anfitriãs, em seu discurso de abertura disse: “O maior desafio para a África neste século será a forma de criar pessoas que sejam altruístas, confiáveis, incorruptíveis, visionárias, positivas, corajosas, curiosas, inovadoras e comprometidas. Esta conferência é organizada para desafiar os produtores da África a olharem para além da agricultura de subsistência e auto-interesse, para olhar para o potencial do seu continente”.

Jamil SsebaluJamil SsebaluJamil Ssebalu, Diretor de um colégio de negócios em Uganda, abriu o diálogo com a sua apresentação sobre os recursos de África, as suas necessidades e oportunidades. “A África precisa mais do que ajuda alimentar, temos de ser treinados para beneficiar os nossos recursos”. Ele falou que a África deve tornar-se um parceiro e não um beneficiário. “Para melhorar os mercados locais, as habilidades humanas, infra-estrutura e qualidade dos bens no mercado, usar biotecnologia juntamente com produtos alimentares tradicionais. Acabar com a corrupção que tem consumido profundamente em nossos caminhos. Montar programas que desempenham um papel de suporte em tecnologia de acesso à informação, mercados e finanças. Parar batalhas internas e entre estados e colocar esses recursos em saúde, indústria, agricultura, transportes e outros setores de desenvolvimento”.

Rose NamatsiRose NamatsiNós ouvimos de Rosemary Namatsi, palestrante sênior do Centro Agrícola perto de Kitale no oeste do Quênia, que treina pessoas de todo o mundo em métodos de agricultura orgânica sustentável. Ela falou do aumento da compreensão dos métodos de agricultura orgânica desde que o primeiro centro abriu em 1984. Ela deu exemplos de plantio comunitário, rotação de culturas e de compostagem, que é especialmente relevante com os preços tão elevados dos fertilizantes.

Richard InceRichard InceUma das áreas mais afetadas pela violência no Quênia em janeiro passado foi a região do Monte Elgon. Um grupo veio a partir desta área que está empenhada em acabar com as divisões e restaurar a produção agrícola e a cobertura florestal que está terrivelmente em necessidade de atenção. Eles relacionam com Richard Ince da Fundação Árvore Internacional e estão em processo de desenvolvimento de uma estratégia que irá ajudá-los a cumprir dois dos seus objetivos.

Duncan NduhiuDuncan NduhiuDuncan Nduhiu, que assistiu muitos diálogos, relatou sobre o crescimento do sistema de coleta de leite de Nyala, que no ano passado cresceu de 6.000 para 12.000 membros, com planos para começar a agregar valor ao seu produto no prazo de cinco anos através de produção de iogurtes e queijos. Duncan ajudou a liderar este grupo desde que começou há oito anos, com 210 membros. Continua a crescer através do compromisso constante de pessoas como ele e a TechnoServe, que ajuda pessoas empreendedoras nas zonas rurais pobres do mundo em desenvolvimento.

George Kamau KirruGeorge Kamau KirruGeorge Kamau, conhecido por disseminar as melhores práticas de plantio de árvores, falou sobre o uso intensivo de sua pequena fazenda para agir como uma demonstração a ser copiada por outros - mesmo aqueles com fazendas de apenas um quarto de acre. Ele falou de duas áreas de prioridade. 1. Para os agricultores a maximizar a utilização de suas terras para que se tornem auto-suficientes. 2. Para ter um plano de gestão ambiental, que reduz o uso de fertilizantes químicos e aerossóis, uma parte importante disto é o uso de árvores.

Marie-Louise Mary e Pascal GallardMarie-Louise Mary e Pascal GallardMarie-Louise Mary, aos 88 anos, esposa de um fazendeiro da França, causou uma impressão duradoura sobre todos que a ouviu falar. Ela falou de sua participação e de seu falecido marido na agricultura desde a década de 1930, o desenvolvimento de políticas governamentais e das cooperativas na França. Seu espírito de luta demonstrou que a idade não deve ser obstáculo à resolução das questões agrícolas. Sua palestra foi seguida por Pascal Gallard, que falou em detalhes sobre os problemas que a agricultura francesa enfrenta nos dias de hoje.

Symon KiturSymon KiturSymon Kitur, de Eldoret, levou-nos através do processo de curar as feridas sociais infligidas durante o conflito no Quênia; ouvimos de uma senhora que cultivava perto de Eldoret, a qual tinha perdido tudo o que possuía. Uma outra senhora que teria sido candidata nas últimas eleições descreveu como ela e amigos formaram um círculo protetor em volta de um grupo de pessoas que estavam sendo ameaçadas, garantindo-lhes segurança. O ministro de uma igreja que foi incendiada em Eldoret contou como tinha sido nocauteado quando foi defender pessoas que perderam a vida quando a sua igreja foi incendiada. Todas estas pessoas estavam determinadas de que o tribalismo devia terminar e as condições que levaram aos surtos de violência deveriam ser tratadas.

Jean Bosco Mbabanjimana, Ndahiro Evalde e Laurent Munyandilikirwa, de RwandaJean Bosco Mbabanjimana, Ndahiro Evalde e Laurent Munyandilikirwa, de RwandaTrês pessoas de Ruanda disseram no encontro sobre novos desenvolvimentos na sua área, e sua esperança de que um dia, em breve, poderá haver um Diálogo de Produtores no seu país onde seus agricultores possam ter a introdução de métodos agrícolas de outros países africanos.

Alphonse Bisusa e Bahati BagalwaAlphonse Bisusa e Bahati BagalwaDois homens da República Democrática do Congo falaram do conflito que impede o desenvolvimento do seu país, e como o conflito estava afetando a agricultura através do colapso da infra-estrutura, impedindo que os agricultores comercializassem seus produtos. Eles falaram do trabalho que estavam fazendo em fazendas, lançando esquemas que ajudaram os criadores de porcos, e também os benefícios que tinham ganhado através da sua participação no Diálogo de Produtores na Tanzânia há dois anos.

Juliana SwaiJuliana SwaiJuliana Swai de Mheza, na Tanzânia, falou de seu trabalho com grupos de mulheres e seu desejo de chegar a outros grupos em sua área. Ela falou de mulheres que haviam estado na miséria há poucos anos atrás e, agora, tinham idéias totalmente novas para o seu futuro e o das suas famílias, algumas tendo progredido de uma para cinco vacas leiteiras, de forma a ter recursos para ter seus filhos na escola, além de serem orgulhosas proprietárias de uma casa adequada para sua família.

Abhay e Sunita ShahaAbhay e Sunita ShahaAbhay e Sunita Shaha, da Índia, fizeram muitos amigos, e suas histórias de empreendimentos agrícolas em que estão envolvidos despertou o interesse de todos. Um programa de formação para os agricultores rurais e moradores é Grampari. Abhay explicou que Gram significa meio rural e Pari representa Pariyawaran, significando Ambiente. Grampari é estabelecida com o objetivo de abordar as questões do desenvolvimento rural e sustentabilidade ambiental. Esta abordagem multi-nacional para a agricultura local é uma grande oportunidade para agricultores africanos e asiáticos para assim compartilhar conhecimentos e experiências.

Albert MampiononaAlbert MampiononaAlbert Mampionona, de Madagascar, estava voltando para casa depois de um programa de três meses sobre plantio de árvores. O próximo passo será plantar 1000 árvores Camphoria-Ravintsara, que são fonte de óleo. Esta foi sua primeira vez no continente africano, apesar de Madagascar ser parte do continente. Madagascar tem um grande potencial para melhorar a produção, disse ele. “Este trabalho em rede entre os países africanos e a troca de experiências têm sido muito valiosas. Estou pensando em como podemos ter diálogos como este onde eu vivo”.

Relaxando depois do almoço durante a visita a uma fazendaRelaxando depois do almoço durante a visita a uma fazendaHouve uma pausa no meio da conferência para dois dias de visitas a fazendas e empresas agrícolas. Foram incluídas visitas a uma fábrica de açúcar, três fazendas e um Arboreto de Medicina Indígena patrocinado pela Fundação Ford. Nessas visitas pudemos ver em primeira mão alguns dos métodos de produção que tínhamos falado anteriormente. Isto trouxe uma mudança de ritmo e novas amizades se formaram.

No fim do diálogo houve discussões muito úteis sobre a estrutura de gestão do Diálogo entre Produtores e como ele pode contribuir para a divulgação ainda na África, buscando e incentivando aqueles que poderiam ajudar os países em desenvolvimento. Este relatório é uma pequena amostra do que foi apresentado pelos palestrantes durante o diálogo. Uma notável mudança nas prioridades nos últimos anos é a crescente preocupação sobre a mudança climática e a disseminação de iniciativas para plantar árvores. Durante a conferência uma série de outras iniciativas foram planejadas, sendo uma delas um Diálogo entre Produtores Leste Africano em 2010, em Uganda.

Faça o download do relatório PDF [em inglês] aqui.