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Vista da parte traseira do primeiro edifício no novo projeto Casa Comunitária (Foto: Rob Lancaster)
A Viagem de Diálogo e Descoberta seguiu para o Japão, e depois irá aos EUA, mas o trabalho continua nos lugares visitados. Depois de terminar sua etapa com a delegação na Criméia, Rob Lancaster viajou para Baranivka, no centro da Ucrânia, para ver o progresso de uma nova iniciativa de construir uma casa comunitária como base permanente para o diálogo, capacitação e construção de confiança na Ucrânia.
Desde a Revolução Laranja em 2004, muitas das grandes esperanças dos ucranianos no desenvolvimento da democracia no país não foram concretizadas. Entre outros indicadores, em 2009 o país classificou-se em 146º no índice "percepções de corrupção" da Transparência International, e o mal-estar é muito mais profundo. No entanto, existem indícios de uma silenciosa revolução em curso a nível popular, trazendo a idéia de "confiança" para o debate público e desafiando cada pessoa para construir as bases da democracia começando com honestidade e responsabilidade pessoal em suas próprias atitudes. Valentin Bondarenko e Sergey Tretetskiy, dois amigos que se reuniram no drama da Revolução Laranja, lançaram-se à frente de uma nova iniciativa no sereno entorno de Baranivka para estabelecer bases - literais e figurativas - por um novo impulso à construção da democracia.
Bandeiras da Ucrânia e de F4F sobre a nova casa comunitária em Baranivka (Foto: Rob Lancaster)Após o encontro em 2004, Valentin e Sergey tiveram a oportunidade de participar de uma semana de treinamento e desenvolvimento organizada por Bases para Liberdade (F4F), uma ONG internacional com sede em Kiev que visa promover uma sociedade mais justa com base em um compromisso de valores. De maneiras diferentes, a introdução do F4F foi importante para ambos, mas para Valentin, em particular, foi o início de uma direção totalmente nova na vida. Quando discutimos porque ele considera estes "Cursos Itinerantes" tão importantes para os jovens na Ucrânia, explicou simplesmente "porque ele muda pessoas e muda vidas". Ele próprio admitiu que abraçava plenamente a cultura da corrupção no país, e sua filosofia era "a vida é um jogo e a primeira regra é ganhar dinheiro". "Eu só pensava em mim, e pensava que eu era bom, pois sabia usar o sistema - os outros eram perdedores." Os cursos itinerantes desafiam esta abordagem à vida, principalmente por facilitar discussões entre os próprios participantes sobre os conceitos de humanidade, mudança, valores e moralidade. Para Valentin, era um tempo "para entender minha vida e o que era importante para mim." No seu caso, isso também significou repensar radicalmente sua relação com o álcool e as drogas, os quais ele agora decidiu largar completamente.
Embora o papel que esses cursos itinerantes têm desempenhado na vida de muitos jovens seja comprovadamente significativo, Valentin e outros sentiram que F4F poderia estar fazendo mais e que a questão da sustentabilidade financeira precisa ser resolvida. F4F foi lançado fora do Reino Unido, sob a égide de Iniciativas de Mudança Reino Unido, então Rearmamento Moral, em 1993, e grande parte do financiamento desde então vêm de fora da Ucrânia. Por equivalentes 2.500-4.000 dólares por curso, os custos dos programas de formação não são negligenciáveis. Eles reconheceram que, se pudessem criar uma base permanente para esses cursos, um enorme leque de possibilidades seria aberto, finanças já não apresentariam a mesma limitação e experiência poderia ser oferecida a muitas mais pessoas. Foi neste contexto que, há 18 meses, a ideia de uma casa comunitária foi seriamente discutida mas, como explica Valentin, "naquele momento não havia nem dinheiro nem energia para que se tornasse realidade."
Valentin Bondarenko trabalhando no local para os planos da nova casa comunitária (Foto: Rob Lancaster)Com o tempo, Valentin tornou-se cada vez mais convencido da necessidade de começar a construir uma casa a partir do zero. Não foi fácil levar as pessoas a bordo, mas ele teve o apoio correto em pontos-chave. Em particular, com o incentivo recebido de amigos na Noruega durante um acampamento de Ano Novo deste ano e outros doadores tão distantes como a Austrália, a ideia amadureceu dentro da equipe F4F. Mesmo convencer o amigo Sergey não foi rápido. Sergey afirma que, embora visse o mérito dele, e apesar de sua amizade, seus temperamentos eram muito diferentes e, devido a maneira enérgica que Valentin apresentava o plano, ele não apoiou. "Mas depois da Noruega, eu ouvi a mesma ideia sendo apresentada de uma forma diferente. Noruega mudou muito o Valik - ele estava brilhando. Estávamos conversando há muito tempo aqui, e seu retorno da Noruega foi o ar fresco que precisávamos."
A filosofia do projeto é muito simples, diz Valentin: criar algo que seja "de nossas mãos, muito simples e muito útil." Eles identificaram dois blocos adjacentes de terreno onde estão começando, isolados entre as colinas verdes e a quietude, próximo à aldeia de Baranivka e apenas cerca de duas horas e meia dos principais centros de Kiev e Kharkov. É um dos ambientes naturais mais intocados da Ucrânia, e uma localização central para aqueles que vêm de diferentes direções.
Participantes do Curso Itinerante realizado no local proposto para a nova casa comunitária - no momento, as sessões são em uma velha barraca do Exército (Foto: Rochus Peyer)
Para demonstrar que ele estava falando sério, Valentin deixou seu trabalho como Diretor de Desenvolvimento em uma empresa de grande porte em Kharkiv para dedicar seu tempo completamente ao projeto, e agora Sergey se juntou a ele. Ambos precisaram se afastar por alguns dias para um recente encontro na Criméia e uma amiga, Margaryta Sieraia, se ofereceu para cuidar do lugar sozinha. Longe de se cansar, ela ficou e diz que espera permanecer lá no próximo ano. Nadiia Shpytko, que ajudou com a culinária durante o curso, também tem permanecido nesta fase. Não falta nem construtor qualificado, pois Andrei Ulianenko, um outro amigo, também faz parte da equipe permanente.
A visão é mais ampla do que ter os cursos itinerantes, embora o seu papel seja fundamental. Valentin observa que muitas pessoas entram em discussões com um sentimento de "o que posso fazer como pessoa?". "Temos que mudar essa mentalidade", diz ele. "Qualquer um pode fazer história e mudar o mundo. Este é único caminho para que as pessoas vejam isso, e no processo a equipe amadureceu". E mais, o processo é inclusivo, e pode oferecer um contexto diferente para que as pessoas se envolvam na visão de F4F para o país. A propriedade comum da visão e do trabalho é claramente de importância fundamental para Valentin: "as pessoas sentem agora a responsabilidade, a assumem e tem todo o direito de dizer 'é nosso' ''.
(da esquerda para direita) Sergey Tretetskiy, Nadiia Shpytko, Margaryta Sieraia e Valentin Bondarenko (Foto: Rob Lancaster)Além de fornecer uma base para o curso itinerante, será oferecido um espaço para discussão. Construção de confiança é fundamental para o trabalho do F4F, e a "Semana da Confiança" organizada no mês passado em conjunto com a Viagem de Diálogo e Descoberta de Rajmohan Gandhi foi parte disto. Uma nova iniciativa, "Ação Ucraniana: Curando o Passado", coordenada por Olka Hudz a começar este ano, é outro elemento. O projeto pode fornecer visão global com um espaço físico para muitos destes diálogos em curso, onde cada um à sua maneira pode desempenhar um papel importante no desenvolvimento da democracia ainda jovem da Ucrânia.
Um mapa mental do conceito de casa comunitária, criada por Valentin e outros durante uma conferência em Julho de 2009, em Caux, Suíça (clique na foto)Refletindo sobre a Revolução Laranja, Valentin sente que, apesar dos elementos negativos no sistema, era o "início do processo democrático na Ucrânia. Pela primeira vez eu vi pessoas em ação, que pretendem ver não apenas a mudança em suas vidas, mas na vida da nação." Para ambos, a reunião não foi um acaso, a Revolução não era nenhum piquenique: "Foi uma exame das pessoas, um teste à sua coragem e ver se elas se importariam." Talvez essa amizade entre Valentin e Sergey, nascida entre os milhares de acampados na Praça da Independência em Kiev, na época, venha plantar a semente de uma nova revolução, criando condições de confiança, compreensão e responsabilidade pessoal para avançar na Ucrânia.